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Importância da composição das fibras musculares para o treinamento de Velocidade e de Resistência

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Uma vez que ambos são corredores, muitas pessoas perguntam o porquê de não vemos o velocista Usain Bolt correndo uma maratona nem o fundista etíope Haile Gebrselassie numa prova de 100m rasos. Eles não participam das provas citadas acima por uma questão simples: cada pessoa nasce com informações genéticas diferentes umas das outras, de acordo com o princípio da Individualidade Biológica.  Dentre estas difernças genéticas, está a diferença na composição de fibras musculares de cada um dos atletas citados acima. Explicaremos abaixo as diferenças entre as fibras musculares encontradas no corpo humano.

A musculatura humana é constituída por fibras musculares, que são diferenciadas pela velocidade de contração de cada uma delas. Basicamente, elas são divididas em fibras de contrações lenta (conhecida como fibras do tipo I) e rápida (fibras do tipo II), presentes em todos os seres humanos. O que diferencia um atleta de outro (ou uma pessoa da outra) é a composição destas fibras musculares no organismo.

No caso do Haile Gebrselassie, o recordista mundial da maratona possui uma composição de fibras musculares do tipo I (lentas) maior do que as de contração rápida. Com isso, os músculos dele possuem uma grande resistência à fadiga (que podem durar horas), densidades capilares e das mitocôndrias (responsáveis pela respiração celular, principalmente com uma grande quantidade de oxigênio) maiores, que facilitam uma maior utilização do oxigênio no metabolismo celular, permitindo um bom trabalho da gordura no metabolismo e um elevado valor do Consumo Máximo de Oxigênio (VO2 máximo). Caracterizada por esforços de resistência, a desvantagem das fibras de contração lenta é que a produção de força delas é baixa e os neurônios que fazem a musculatura contrair é pequeno.

Ao contrário, o jamaicano Usain Bolt é considerado o homem mais rápido do mundo, dentre outras coisas, por ter uma maior composição de fibras de contração rápida (tipo II), permitindo a ele ter uma grande produção de força e com neurônios motores grandes, que facilitam o treinamento da Velocidade e correr os 100m rasos em 9s58. O fato de estas fibras musculares serem utilizadas em altíssimas intensidades traz, como desvantagem, uma baixa resistência à fadiga, fazendo com que as fibras entrem em exaustão rapidamente.

Nas fibras de contração rápida, também possuímos uma fibra de contração intermediária, conhecida como fibras do tipo IIa, que apresentam algumas  das características das fibras de contração rápida como das de contração lenta. Numa linguagem popular, elas são conhecidas como “Maria vai com as outras”, pois ela é capaz de se adaptar à característica da atividade que o indivíduo praticar. Para um maratonista, elas são convertidas para o tipo I e, para o velocista, para o tipo II.

Existem duas formas para sabermos qual tipo de fibra muscular é predominante no nosso organismo: a primeira e mais cara é através de uma biopsia muscular, onde uma pequena parte de um determinado músculo é retirada e analisada microscopicamente. A outra forma de sabermos se somos mais rápidos ou mais resistentes é através da prática nos treinamentos e nas competições, comparando os resultados de uma mesma pessoa em atividades que exigem velocidade e resistência.

Nas diferenças na composição das fibras musculares, o mais importante é saber em qual atividade que devemos treinar e capacitar para termos rendimentos satisfatórios. Nos exemplos citados acima, tenho certeza que o Usain Bolt e Haile Gebrselassie seriam desconhecidos da mídia se eles não tivessem algum treinador que soubesse a diferenciação destas fibras musculares para direcioná-los a escolher a prova específica de cada um deles.  Da mesma forma serve para nós, amadores, que podemos ser auxiliados por um profissional de Educação Física na opção das provas de corrida que apontem resultados satisfatórios.

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