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Excesso de exercício físico: tão prejudicial quanto a falta dele

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Nós, professores de Educação Física, sabemos o quanto é difícil convencer uma pessoa sedentária a se exercitar. Quando isso acontece, vemos o progresso e a força de vontade desta pessoa, que “se converteu” e passou a adorar a praticar exercícios físicos, ficando mal-humorada e com sentimento de culpa quando não os realiza. De sedentária a fanática por exercício, este praticante começa a cometer exageros que podem gerar lesões e todos os benefícios conquistados pela prática de atividade física pode trazer sérios problemas para saúde se esta for praticada em excesso.

Que a prática de exercícios físicos é importante para a saúde e traz benefícios psicológicos e sociais para os praticantes, isso é induscutível. Entretanto, eles só serão benéficos quando houver um tempo necessário de recuperação entre um estímulo (no caso, o treinamento físico) e outro ou com a realização de uma atividade física diferente da que foi feita no dia anterior.

Vou explicar melhor com o seguinte exemplo: uma pessoa, praticante de Natação há 1 ano, nadou 2000 metros num determinado dia. Se ela nadasse, no dia seguinte, os mesmos 2000m ou aumentasse para 2200m, com certeza não teria  um progresso no treinamento dela.

Quer dizer que, se aumentar a distância no dia seguinte, o atleta não evoluirá? No caso citado acima sim.

Quando realizamos qualquer atividade física, saímos do estado de equilíbrio que o nosso corpo se encontra, num processo que chamamos de Catabolismo.  Após o treino, precisamos, através da alimentação e do descanso, nos recuperar daquilo que “estresssou” (o exercício físico é um estresse positivo ao organismo) na fase denominada Anabolismo.  Para se defender de um próximo desequilíbrio, o corpo humano já é preparado a ultrapassar a linha de equilíbrio anterior chegando a uma Supercompensação e, quando chegamos nela, um novo estímulo (no caso, o exercício físico) igual ou mais forte, pode ser dado.

Passando da teoria para a prática, o que acontece com os “novos viciados” em exercícios físicos é que ele não permite que haja uma supercomensação da atividade realizada anteriormente e já quer repetir ou superar o feito. Isso, quando realizado muitas vezes, pode causar danos tanto ao desempenho (a performance diminui, ao invés de aumentar) quanto para a saúde, cujos valores de frequência cardíaca em repouso e a qualidade do sono, por exemplo, podem ser iguais a de uma pessoa sedentária.

Para evitar isso, o atleta pode realizar, no dia seguinte, uma outra atividade física (se ele é nadador, como o exemplo acima, ele pode correr ou fazer musculação) ou reduzir o volume e a intensidade do treino daquele realizado (ao invés de nadar 2000m novamente, nade 800m) para priorizar a Supercompensação.

Como sintomas de excesso de treinamento, o atleta já acorda cansado, desinteressado em treinar, com valores de frequência cardíaca em repouso mais altas e com grandes chances de se lesionar. Quando alguns destes sintomas aparecerem, pare de treinar por volta de 1 semana e tudo voltará ao normal.

Diante destes fatores lembre-se que os objetivos do exercício físico são a qualidade de vida e o bem-estar, e não é a performance (esta é o objetivo dos atletas profissionais). Se não está tendo prazer ao praticar a modalidade que tanto gosta, alguma coisa está errada na realização desta e a principal suspeita é que você está exagerando nos treinos.

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